“COP30 presents the moment to begin implementing the carbon market, but it requires integrity, liquidity, and scale. Brazil has the assets, but what about the integrity that builds trust, the integration that creates liquidity, and the well-structured capital that leads to the necessary scale?” This statement comes from lawyer Ludovino Lopes of the Nature Investment Lab (NIL), a panelist during a discussion on the topic at Rio Climate Action Week, 2025. The event, titled “Building Integrity and Scale in Carbon Markets,” also featured representatives from re.green, Suzano, and Elo, and was moderated by Daniel Martins of PwC / Strategy&.


Lopes lembrou que o Brasil levou quase uma década para estabelecer as regras do setor, embora as primeiras transações tenham começado em 2005, quando o Protocolo de Kyoto —celebrado em 1997— entrou em vigor. Segundo o advogado, o país já foi o terceiro maior comerciante mundial de créditos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), atrás da China e da Índia. Depois de 2007, o mercado global de créditos baseado no modelo das Nações Unidas declinou, só recuperando força depois de 2015 com o Acordo de Paris. Em dezembro de 2024, o governo brasileiro se uniu ao seleto grupo de países com mercado regulamentado de carbono, sancionando a lei que regulamenta o setor e estabelece regras para o comércio de emissões de gases de efeito estufa no país, alinhando assim suas metas internacionais (declaradas em sua NDC) com um instrumento essencial para calibrar o mercado regulamentado doméstico sob um modelo “cap-and-trade”.


“O Acordo de Paris redesenhou a governança climática internacional, transformando o mercado de carbono em um bem comum global. Todos os países têm agora a responsabilidade de contribuir. Esta nova ordem exige mecanismos robustos e globalmente integrados. O Brasil e outros países terão até acordos comerciais estratégicos, com créditos de carbono se tornando parte da agenda de exportação”, afirmou Lopes.


A lei que regulamentou o setor no Brasil determina que os créditos de carbono do mercado regulamentado, ou aqueles a serem negociados no mercado de capitais, assumem a natureza jurídica de valores mobiliários. Estão, portanto, sujeitos à regulamentação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários do Brasil) e, consequentemente, têm como locus transacional o mercado de capitais “.” Para Daniel Martins, da PwC, o país está bem posicionado para ser um ator importante no setor. “Até 2035, o mercado global poderá atingir US$ 7 bilhões, com US$ 2 bilhões gerados pelo Brasil”, disse ele.


However, significant challenges remain in turning this potential into reality. Thiago Piccolo, CEO of re.green—a company specializing in ecological restoration and carbon credit generation—pointed to financing as the main obstacle: “There is demand and operational capacity, but resources are lacking. Few investors are willing to finance high-risk projects with long-term returns.”


“Há também a questão da posse da terra. É difícil encontrar uma área sem passivos ambientais e com documentação adequada. Também há problemas operacionais —estamos falando de muitas mudas e sementes, operando milhares de hectares em áreas remotas e não mecanizadas. Precisamos evoluir o mercado de seu estágio atual, quase artesanal, para um negócio de grande escala”, disse ele. “Também precisamos pensar em ciência, tecnologia, drones e genética de árvores.”


Para grandes empresas como a Suzano —maior consumidora de gás natural do Brasil, com 11 fábricas— essa operação se torna mais fácil. A empresa é uma das fundadoras da Biomas, uma iniciativa criada para restaurar e proteger florestas nativas. Com isso, a própria Suzano gera créditos de carbono vinculados aos seus produtos, desde caixas de remédios até papel neutro em carbono.


“Estamos entusiasmados com a regulamentação do mercado de carbono, mas agora ele precisa estar operacional. Acredito que isso ainda levará mais quatro ou cinco anos. Gerenciamos eucaliptos e fazemos parcerias com fornecedores e comunidades. Precisamos que todos estejam a bordo”, disse Sarita Severien, gerente de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas da Suzano.


Andreia El Haber, Superintendente de Sustentabilidade da Elo —empresa brasileira de cartões— identificou a falta de informações confiáveis para monitorar as transações como um grande gargalo no mercado. Para atender a essa demanda, a Elo lançou recentemente o Elo Eco, uma plataforma de gerenciamento de crédito de carbono que usa tokenização para fornecer rastreabilidade e transparência às negociações.


“Hoje, a plataforma mostra faixas de preços e parâmetros, e informações sobre o processo de negociação de crédito de carbono estão contidas em um token. É uma forma de acelerar a comercialização e escalar o negócio,” diz ela. “Quanto mais informações você compartilha, mais suporte você obtém. Convido as empresas a olharem para dentro, compreenderem as suas competências e apoiarem este mercado.”

Sobre o Nature Investment Lab (NIL)
O Nature Investment Lab é uma iniciativa colaborativa liderada pelo setor privado, criada para superar desafios legais e financeiros, desenvolver modelos de negócios replicáveis e criar estruturas financeiras inovadoras para projetos sustentáveis no Brasil. Seu Comitê Estratégico inclui instituições como o Banco do Brasil, o BNDES, a Glasgow Financial Alliance for Net Zero (GFANZ), o Institute for Climate and Society (iCS) e o Instituto Itaúsa. A Climate Ventures atua como secretaria, e a Impacta – Finanças Sustentáveis é a parceira técnica da iniciativa.