O Programa Eco Invest Brasil, Mobilização de Capital Privado Externo e Proteção Cambial, iniciativa do Ministério da Fazenda no âmbito do Plano de Transformação Ecológica (PTE), combina instrumentos de blended finance, proteção cambial e leilões competitivos para reduzir barreiras históricas à atração de investimento privado de longo prazo no país. Ao oferecer mecanismos que mitigam a volatilidade cambial e alavancam capital privado a partir de recursos públicos catalíticos, o Eco Invest inaugura um novo paradigma de política pública, no qual o Estado atua como gestor de riscos e facilitador de mercado, e não apenas como financiador direto.

Desde seu lançamento em 2024, o programa tem sido testado e aprimorado por meio de rodadas sucessivas de leilões temáticos. O primeiro leilão serviu como prova de conceito, mobilizando mais de R$44 bilhões em investimentos totais para a economia verde. O segundo leilão, em 2025, consolidou o modelo ao direcionar R$30,2 bilhões para a recuperação de terras degradadas, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis em diversos biomas. O Leilão 3, por sua vez, representa um novo marco na evolução do programa, ao priorizar a formação de capital fixo via equity em cadeias estratégicas do PTE, como: bioeconomia, economia circular e transição energética, e ao ampliar as modalidades de investimento elegíveis, tornando o instrumento mais flexível, inclusivo e aderente às dinâmicas reais do mercado.

Eco Invest 2

O Laboratório de Investimentos na Natureza (NIL) teve um papel consultivo fundamental na recente reformulação da regulamentação que amplia o leque de instrumentos financeiros aplicáveis ao Programa Eco Invest Brasil. A contribuição do NIL, incorporada à nova regulamentação vinculada ao Programa, facilita a mobilização de capital privado para a agenda nacional de transformação ecológica. Foi na Resolução CMN nº 5.205, publicada em 17 de abril de 2025, que podemos ver as sugestões técnicas do NIL incorporadas, aprimorando as condições de financiamento para projetos de Soluções Baseadas na Natureza no Brasil.

O Programa Eco Invest, gerido pelo Tesouro Nacional, visa atrair capital estrangeiro e mitigar riscos cambiais para financiar projetos alinhados à sustentabilidade. O segundo leilão foi anunciado esta semana e oferece uma linha de financiamento mista com foco específico na recuperação de pastagens degradadas.

O novo artigo 3º-A da Resolução 5.205, fruto de discussões técnicas com o NIL e o Tesouro Nacional, juntamente com diversos outros atores, autoriza as instituições financeiras a utilizar os recursos da Linha Eco Invest (capital catalisador a 1% a.a. com prazos estendidos) não apenas no crédito tradicional, mas também em novas modalidades como:

  • Aquisição de cotas de fundos de investimento: permite que os bancos repassem recursos por meio de fundos dedicados a projetos sustentáveis, que também podem atrair capital próprio e outros tipos de capital. A resolução ainda prevê um incentivo de prazo adicional (carência estendida) para instituições que utilizam essa estrutura.
  • Aquisição de títulos: Inclui explicitamente instrumentos de securitização como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e outros títulos de crédito, desde que lastreados diretamente em projetos elegíveis ao Eco Invest.

Essas mudanças, recomendadas pelo NIL, são fundamentais para operacionalizar estruturas de financiamento misto mais eficazes. Elas proporcionam maior segurança jurídica e flexibilidade para as instituições financeiras gerenciarem riscos e diversificarem o crédito, pulverizando-o por meio de fundos ou securitização. A medida também amplia as oportunidades de captação de recursos, estruturando produtos financeiros que podem ser acessados por um universo mais amplo de investidores (fundos institucionais, de varejo e internacionais).

Além disso, a medida também otimiza a alocação de recursos ao criar veículos financeiros com governança e transparência robustas, adequados à complexidade e ao período de maturação dos projetos de restauração ecológica e agricultura regenerativa.

Eco Invest 3

O Nature Investment Lab (NIL) participou do processo de aprimoramento técnico e regulatório do terceiro leilão do Programa Eco Invest Brasil, contribuindo para melhorias significativas na arquitetura financeira do programa, na governança operacional e na capacidade de mobilizar capital privado para setores estratégicos da transição ecológica.

As recomendações apresentadas pela NIL visavam ampliar o alcance e a flexibilidade do programa, fortalecendo seu alinhamento com as necessidades das cadeias de valor ligadas às Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e com os objetivos do Plano de Transformação Ecológica (PTE). As contribuições focaram em:

  • Ampliação dos instrumentos elegíveis e das vias de alocação
  • Desenho de capital catalítico e redistribuição de excedentes
  • Critérios de seleção e incentivos à inovação
  • Flexibilidade operacional e prazos
  • Âmbito setorial e restauração florestal
  • Monitoramento de impacto e indicadores de transição justa

Próximos passos

O Nature Investment Lab trabalhou com o Tesouro Nacional realizando recomendações para o Eco invest 4 que será lançado nas próximas semanas.